Criminalista desabafa sobre situação do presídio em Frutal

renatoadvA rebelião ocorrida no presídio de Frutal na última sexta-feira, que terminou com celas destruídas, um preso que conseguiu fugir durante a transferência (sendo recapturado às margens do Rio Grande) e com famílias de detentos preocupadas com a situação precária do local, traz de volta uma velha discussão e um antigo sonho da cidade: ter um novo presídio, com estrutura decente para pelo menos abrigar o elevado número de presos na Comarcar.

O presídio que, em tese deveria ter por volta de 100 presos, hoje está superlotado com mais de 160 detentos naquele espaço. As celas tornam-se insuficientes, assim como camas e colchões. O resultado é que o barril de pólvora, uma hora, deveria estourar. Uma verba chegou a ser anunciada para a construção do novo presídio, inclusive, com área já doada nas proximidades da APAC. Porém, até o momento, estamos apenas na expectativa.

Assim que a rebelião terminou, o advogado criminalista Renato Furtado, que tem defendido e trabalhado para que o novo presídio saia do papel e se torne realidade, encaminhou mensagem ao blog lamentando a situação ocorrida em Frutal na última sexta. “Temos tentado tirar esse barril de pólvora do centro da cidade. Mas, entra PSDB, sai PSDB, entra PT, e o sama-lelê é o mesmo. LAMENTO muito, tanto pelos que estão presos sendo tratados como animais, quanto por nós, como comunidade, que vamos receber de volta essas feras”, desabafou.

O advogado ainda destacou que “o fato é que, como sociedade, temos o direito de, após um julgamento onde sejam respeitadas as regras do jogo, retirarmos a liberdade daqueles que infringem os nossos regramentos. Quando concordamos, bovinamente, a que se retire, também, a saúde, a dignidade desses seres humanos, a gente os animaliza e o tiro vem de volta no nosso pé. Nós passamos a virar o gado deles, presos em nossas próprias casas, cheias de medo, muros altos e cercas elétricas”.

O desabafo de Renato Furtado pode ser considerado um reflexo da situação de medo que a comunidade vive com o presídio instalado no centro da cidade. Até quando vamos esperar uma tragédia maior antes de ver, de fato, o presídio novo na cidade? Não tenho dúvidas que um dia uma chacina pode se desenhar naquele local. E, depois, não adiantará lamentar o leite derramado.

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