GAECO realiza operação na prefeitura de Iturama

O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de Uberaba deflagrou nesta terça-feira (3), a segunda fase da Operação “Tanque Cheio”. Nesta etapa, foram cumpridos mandados de busca e apreensão em endereços nas cidades de Campina Verde e Iturama, sendo que nesta última cidade, um deles é a casa do prefeito, Anderson Golfão (MDB).

Na ação, realizada em parceria com as promotorias de Justiça e a Polícia Militar (PM) de Iturama, foram apreendidos um notebook e mídias digitais que podem conter elementos probatórios que estavam com o prefeito Golfão. Os materiais serão analisados e devem ajudar na continuação as investigações. Os mandados para colher as provas foram expedidos pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG).

O G1 e a reportagem da TV Integração entraram em contato com o prefeito de Iturama, mas as ligações não foram atendidas até a publicação desta matéria. O G1 também tentou contato com a Prefeitura pelos telefones fixos e com o assessor do Município, mas ninguém atendeu.

Denunciados e investigações
Em outubro, Golfão foi denunciado por peculato, associação criminosa e falsidade ideológica pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG). O ex-secretário de Administração, Firmiano Diniz Borges, o ex-secretário municipal de Governo, Maurílio Donizete da Silva, e o dono de um posto de combustíveis da cidade, João Simião Rosa Filho, também foram denunciados pelos mesmos crimes.

De acordo com o MPMG, eles são acusados de apropriação de dinheiro público por meio de um esquema fraudulento de combustíveis.

As investigações mostram que o prefeito e os ex-secretários emitiam ordens de serviço para o abastecimento de viaturas policiais no posto de combustíveis Simião e Filho Ltda., mas na verdade o abastecimento dos veículos eram realizados na sede da Polícia Militar (PM). O estabelecimento expedia notas fiscais falsas que atestavam o fornecimento de combustível.

Segundo o promotor José Cícero Barbosa da Silva Júnior, coordenador do Gaeco de Uberaba, as investigações tiveram início em 2018, após declarações do prefeito de Iturama, Anderson Golfão. Ele afirmou, na época, que a cidade enfrentava uma crise econômica com elevados gastos com combustível, mesmo com o abastecimento de viaturas policiais sendo feito na sede da PM.

Porém, como o convênio entre o município e a polícia foi encerrado em 2017, as ordens de serviço chamaram a atenção.

“Iturama tem um posto orgânico, de responsabilidade do Estado, para o abastecimento de viaturas da Polícia Militar, Polícia Rodoviária e Polícia Ambiental. A instalação do posto orgânico encerrou o convênio entre a Prefeitura e a polícia”, afirmou o promotor.

A fraude pode ter causado prejuízo de R$ 122 mil aos cofres públicos entre o final de 2017 e o começo de 2018. Além da condenação por peculato, associação criminosa e falsidade ideológica, o MPMG pediu na denúncia que o prefeito e ex-secretários devolvam R$ 465 mil e o dono do posto R$ 435 mil, entre ressarcimentos e multas.

Operação Tanque Cheio
A primeira fase da Operação “Tanque Cheio” foi deflagrada em março deste ano, quando o ex-secretário de Administração, Firmiano Diniz Borges, e o dono do posto de combustíveis foram presos. Também havia um mandado de prisão contra o ex-secretário municipal de Governo, Maurílio Donizete da Silva, mas ele está foragido.

Na época, ainda foram cumpridos cinco mandados de busca e apreensão. Celulares, computadores, documentos e dinheiro foram apreendidos.

Segundo a denúncia, em 2019 os acusados pretendiam continuar com a fraude, mas a Operação “Tanque Cheio” impediu a concretização dos planos.

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