Especialista explica o luto e sua diferença em relação as demais perdas

Psicólogo explica que além da morte de quem se ama, a perda de um emprego ou o fim de um relacionamento também podem desencadear o luto.

Se existe uma única coisa de que todos nós temos certeza na vida é sobre a morte. É claro que ninguém quer perder quem se ama, mas a vida sempre encerra o seu ciclo. É natural que o cônjuge, parentes e amigo de quem se foi se sintam tristes e melancólicos. Mas não há mal que dure para sempre.

Segundo o coordenador do curso de Psicologia da Faculdade Pitágoras, Rongno Rodrigues, as pessoas encaram a morte ou a perda de um emprego e até de objetos de forma distinta. Contudo, o “prazo” do luto dura, em média, de três meses a um ano. “Não é possível mensurar prazos e sentimentos. Cada pessoa irá vivenciar o processo de uma maneira única. Qualquer que seja a perda, independente se for de uma pessoa ou não, ela provoca o mesmo tipo de reação. Mas é preciso viver esse sentimento para conseguir encontrar forças para se adaptar a uma nova realidade”, diz.

A seguir, o especialista aborda os tipos de luto e como as pessoas reagem a eles.

LUTO POR MORTE

A morte, apesar de esperada, nunca é bem recebida. Ninguém quer perder uma pessoa que ama. O luto por morte costuma ser o mais doído, e dependendo da relação que existia entre o ente falecido e quem está de luto, a sensação pode amenizar, mas em muitos casos, nunca é esquecida.

“A superação do luto ocorre gradativamente. A morte de alguém muito querido traz a sensação de perda da estrutura e necessitamos de espaço e tempo para sentir a dor da ausência, já que a pessoa ocupará um mundo distante de nós. Sofreremos do mesmo jeito, mas é preciso ressignificar o sofrimento e com o passar do tempo, se o luto for bem vivenciado e entendido, ficarão as lembranças boas daquele ente que se foi e vamos recuperando a nossa energia e ânimo”.

LUTO POR EMPREGO

Há muitas pessoas que, quando perdem o emprego, se veem sem chão. “É normal haver autocrítica, sensação de não ser bom o suficiente, além da incerteza de não saber qual será o seu próximo passo na carreira. Mas reconheça esses sentimentos e se permita senti-los, mas não se isole. Aproveite a oportunidade para fazer uma análise de sua postura profissional e da carreira até aquele momento”.

LUTO POR SEPARAÇÃO

Na separação de casais, costuma haver frustação: os dois indivíduos fizeram planos juntos, construíram uma vida conjunta. Quando se separam, há um misto de sentimentos, como raiva do par, frustração por “não ter conseguido fazer o relacionamento dar certo”, entre outros. “Compreender que ao longo da vida perdemos muitas coisas que amamos nos ajuda no processo de adaptação e entendimento a condição humana. O acolhimento e o apoio às pessoas que estão passando por este momento são fundamentais para a retomada do equilíbrio e da rotina”.

COMO LIDAR COM OS SENTIMENTOS?

Em qualquer vivência de luto, o indivíduo deve viver e entender as emoções. “O luto está ligado ao amor que temos pela pessoa que partiu. É importante vivenciar esse momento, inclusive procurar por explicações para a perda”.

Em todos os casos, o psicólogo recomenda dar um tempo a si mesmo para internalizar tudo que aconteceu e buscar uma rede de apoio para encarar os momentos tristes, além de não ignorar a dor. “Precisamos compreender que todos os sentimentos desse período são algo natural e necessário de ser vivido. A tristeza não deve ser vista como algo negativo, nesse caso, ela não pode ser evitada ou encoberta. É uma etapa do luto, a pessoa precisa senti-la para não travar a sua vida e aprender mais e com os seus sentimentos”.

Tahine Netto

Estagiária do Blog do Portari.

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