Eu tenho direito de falar de segurança pública? Sim, eu tenho! (e vocês também!)

Ao ouvir a entrevista do comandante do pelotão da PM em Frutal, Tenente Welton Lopes, ao Raio-X, sobre o caso denunciado pela professora Eliane Panarelli em que não conseguiu um atendimento para uma pessoa caída na praça da Matriz (abordei o assunto segunda, terça e hoje pela manhã), o nosso comandante fez uma observação: quando se trata de segurança pública, todo mundo quer falar sem ter conhecimento, porque esse é um assunto muito específico. Em seguida, ele emendou, questionando a professora, com que base ela disse na entrevista que a violência em Frutal está aumentando….

Pois bem, tenente… vou falar para você enquanto jornalista, Doutor em Comunicação e, acima de tudo, uma pessoa que mora em Frutal desde 1988, cresceu, casou e tem seus filhos aqui…

A cidade de Frutal tem sim ficado cada vez mais violenta. Se compararmos a nossa cidade no ano de 2000 com a de 2014, temos um aumento estratosférico em número de roubos, furtos e, o mais grave, homicídios e tentativas de homicídio.

Quase todo dia ouço informações de fontes seguras que a cidade tem apenas uma ou duas viaturas no turno para atender toda a demanda. É óbvio que esse é um número muito ineficiente e que, realmente, vai refletir num menor número de registro de ocorrências.

Diariamente, ao me deslocar para minha casa, tenho que passar em frente a três pessoas que vendem crack deliberadamente na esquina. Sim, a ponto das pedras estarem bem a frente deles. E quer saber quanto custa a pedra? De R$ 5 a R$10. Quer saber como eu sei? Fui abordado por um usuário ao entrar o carro em minha casa me implorando dinheiro para comprar uma parada. Com medo, dei o dinheiro, já que uma pessoa em abstinência pode ser perigosa.

Se já denunciei isso à PM? Sim, denunciei. Se olhar nos arquivos do blog, em dezembro de 2012, fiz a denúncia, me identifiquei e simplesmente não fui atendido porque todas as a viaturas estavam empenhadas no momento. E qual não foi minha surpresa de, no dia seguinte, receber um release da Assessoria de Imprensa da PM dizendo que não havia “ocorrências de destaque”?

Sabe por que eu também sei que a segurança pública da cidade está falha? Porque estamos perdendo policiais para Uberaba, que inaugurou um novo batalhão. Enquanto isso, elevar Frutal a Batalhão não passa de um sonho e de poucas atitudes isoladas como a do Rotary, mas que sem o apoio da classe política e sociedade civil organizada, não conseguiremos nada, absolutamente nada.

Será que eu sinto no direito de dar pitacos sobre a segurança, não tendo sequer segurança para entrar em minha casa? Ou então ouvir relatos de alunos da UEMG que foram assaltados deliberdamente no Centro de Frutal? Ou ter a notícias de que a casa do defensor público, no centro da cidade, a 50 metros do Fórum, ter sido furtada no meio da tarde? Ou lembrar que o próprio Fórum foi explodido por bandidos? Ou saber que a cidade cresceu vertiginosamente nos últimos 15 anos e que o número de policiais que temos é o mesmo? Sim, tenente… eu tenho direito de falar.

Eu estou na outra ponta do assunto. Eu sou vítima da falta de efetivo, da falta de viaturas na rua, da falta de políticas públicas de segurança para nossa cidade. Sinto-as na pele.

Para quem chegou em Frutal há um, dois ou três anos, conviver com assaltos a comércio a mão armada (o último matou o sr. Josias Custódio…) é comum. Para mim, que cresci andando nessas ruas de madrugada, de bicicleta, na companhia de amigos para fazer serenatas às moças bonitas, não, não é comum.

Então, tenente, faço coro à professora Panarelli. Frutal está sim vivendo um aumento da onda de violência. Agora espero que nossos agentes públicos e nossos responsáveis pela segurança pública deem conta do recado. Porque não quero ser um refém da minha própria cidade ou, como diz a música do Engenheiros do Hawaii, ter a sensação de que “os muros e as grades nos protegem de quase tudo, mas o quase tudo, quase sempre, é quase nada”.

==

%d blogueiros gostam disto: