PATERNIDADE DURANTE A PANDEMIA:DESAFIOS E PRIVILÉGIOS

Pais de primeira, segunda ou de muitas viagens lidam com sentimentos semelhantes como o de encontrar o equilíbrio entre prover, cuidar e participar. Com a pandemia, a rotina que antes se resumia somente aos jantares juntos muitas vezes, hoje é praticamente compartilhada em tempo integral entre pais e filhos.

O gerente de CSC da filial da multinacional italiana de recursos humanos Gi Group Brasil, Jean Lettiere, conta que, no início do isolamento, as mudanças necessárias foram desafiadoras. Mas, com o apoio da empresa, a transição se tornou mais rápida. “Meus filhos, Pedro (12) e Antonio (5) me perguntavam se eu não iria trabalhar e eu explicava que eu estava trabalhando, mas que não precisava estar presente na empresa”, conta. “De lá para cá, foi muito bom para estreitar os laços afetivos, principalmente porque nesta idade existem muitos ‘porquês’ e está sendo bem legal estar nesses momentos com eles”, completa Jean.

Para Fabrício Vallim, gerente internacional de vendas da Gi Group, a principal mudança foi equilibrar a convivência e as distrações que as crianças podiam causar. “O Matheus (8) entendeu desde o começo e é bem colaborativo, porém, a Isadora (4) às vezes participa de alguma reunião. Agora eu consigo vê-los pela manhã, almoçamos juntos e isso é maravilhoso. Até consigo participar das reuniões da escola, o que era impossível antes”, relata Vallim.

Exercer a paternidade em um contexto de home office envolve também participar de tarefas domésticas. Jean conta que a esposa é responsável pelo almoço durante a semana e, aos finais de semana, ele é quem prepara as refeições. “Sou eu quem lavo a louça e ela cuida da arrumação. Nos estudos das crianças, ela participa muito mais e eu fico com a função de ser ‘o tira dúvidas’”, diverte-se.

De acordo com uma pesquisa canadense feita com 1.019 pais pela Canadian Men´s Health Foudantion (CMHF), 40% deles consideraram que a Covid-19 teve impacto positivo na paternidade, 52% estão mais conscientes de sua importância como pai e 60% se sentiram mais próximos de seus filhos.

No Brasil, com a vacinação em andamento, a tendência é que a volta aos escritórios aconteça de maneira gradual. Vallim acredita que é importante encontrar os colegas de trabalho pessoalmente para estimular a interação e a troca de ideias, ainda que defenda o modelo híbrido, para que possa manter a convivência com a família. “Devemos estar atentos aos resultados que produzimos, seja em casa ou no escritório, mas em todos os casos, quero continuar próximo dos meus filhos”, argumenta.

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