Etc&Tal – 27/09/1999

Na quinta-feira, comemorei 45 anos de vida. Para aqueles que vibraram com a possibilidade de eu estar ficando velho e acabado, fica o recado de que concordo com vocês. Tanto que já estou articulando minha sucessão no PONTAL, já que, ao sair para ocupar um cargo na Prefeitura, descobri que não faço lá muita falta na equipe.
Desconfiado com o olhar matreiro de dona Lília, durante todo o dia, fiquei imaginando se ela não estava calculando mais ou menos a data em que colocará a mão no gordo seguro de vida que fiz em seu benefício. Avisei, então, que minha vida é um jogo de futebol: acabo de completar os primeiros 45 minutos e vou me manter no time até os 90 minutos finais. Ô trocadilho infame com meus 45 anos de vida.
Mas, esse negócio de envelhecer é patético. Minha mãe, por exemplo, aos 68 anos de vida, é uma moça. E quer que a família inteira seja de um pique juvenil. Recentemente, D. Irma começou a insistir para que eu tingisse o cabelo de castanho. Mesmo que fosse claro, mas teria de ser castanho.
Brinquei com ela:
— Ora, mamãe. As meninas dizem que meu cabelo grisalho é um charme.
Ela, então, justificou-se:
— Outro dia, numa festa em que estávamos juntos, uma mulher que conversava comigo, perguntou: “Então, você é a mãe daquele senhor de cabelos brancos?”
Oras… em seu raciocínio, se eu sou um senhor de cabelos brancos, minha mãe seria, então, uma pronta e acabada anciã…
Outro fato que estranhei: aqui no jornal, só os puxa-sacos de sempre vieram cumprimentar-me pelo meu aniversário. Os outros, fecharam-se em ostras e ó: bico calado. Nenhuma de nossas colunistas sociais lembrou-se que o dia 16 de setembro de 1954 deveria ter entrado na história pelo nascimento de um dos últimos gênios desta humanidade. Eu… com toda a minha humildade, que salta aos olhos.
Notei que a Envarg, ao completar 20 anos, fez um balanço de seu patrimônio. Resolvi, aos 45, fazer a contabilidade de meus defeitos, como chefe. Encontrei vários perfis de chefe. Gostaria que meus leitores lessem atentamente e me escrevessem (ou telefonassem) afirmando que tipo de chefe eu sou. Porque, se algum funcionário se manifestar, eu meto o pé na bunda dele:
Chefe sorvete: aquele que se derrete todo quando vê o diretor.
Chefe caranguejo: aquele que só faz o serviço andar para trás.
Chefe ortopedista: aquele que só pega no pé.
Chefe Papai Noel: aquele que só enche o saco.
Chefe fósforo: aquele que esquenta a cabeça à toa.
Chefe limão: aquele que vive azedo.
Chefe prego: o que só leva na cabeça.
Chefe jóquei: vive caindo do cavalo.
Chefe tesoura: aquele que vive cortando o barato.
Chefe orelha: aquele que só fica na escuta.
Chefe James Bond: aquele que vive espionando.
Chefe Silvio Santos: o que fala tanto que até perde a voz.
Chefe Lombardi: aquele que só fala por trás.
Chefe Hebe Camargo: aquele que ao ver alguém atrasado vai logo dizendo: *Você é uma gracinha… que belezinha…”
Chefe dominó: aquele que está sempre P. da vida.
Chefe chiclete: aquele que não desgruda.
Chefe disco-velho: só chia.
Chefe disco-quebrado: não se toca nunca.
Chefe peixe: na hora do aumento, nada.
Chefe doril: espirra sempre que surge um problema.
Chefe lâmpada: aquele que da a luz quando um funcionário falta.
Chefe tintureiro: aquele que “só passa” o serviço.
Chefe Faustão: aquele que só fala abobrinha.
Chefe abelha: aquele que quando não está voando, está fazendo cera.
Como sou um cara perfeito, sem defeitos, tenho certeza de que você, caríssimo leitor, vai usar essa tabela de defeitos acima para classificar o seu chefe. Porque, se disser que eu sou o exemplo pronto e acabado de alguns desses protótipos acima, eu vou lhe esperar na esquina para a gente sair no tapa.

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