Coronavirus? Tenho medo é da dengue!

O surgimento, transmissão e consequente óbitos registrados em virtude do Coronavirus têm levado boa parte da população a um efeito de “manada”: o fato de estarem diante de um vírus desconhecido que, agora, definitivamente está presente no Brasil, tem feito muitos frutalenses a comprar álcool em gel, pensar nas futuras máscaras cirúrgicas e ficar em estado de alerta quanto ao risco do vírus chegar por aqui. Isso porque Barretos, Uberaba, Uberlândia e São José do Rio Preto, todos num raio de 200km, já têm casos suspeitos em investigação.

O que mais me preocupa, no entanto, não é o fato do Corona poder chegar aqui. Aliás, se ele for altamente transmissível, não duvido que mais dias, menos dias, teremos suspeitas registradas. No entanto, enquanto pensamos nas mortas na China ou na Itália, esquecemos da doença que realmente já matou frutalenses: a dengue. Levantamento da saúde realizado até dia 7 de fevereiro apontou 91 casos suspeitos, ou seja, quase 3 possíveis casos de dengue são notificados por dia em Frutal desde que se começou o ano.

O risco de epidemia de dengue é moderado, mas quase estamos chegando aos índices de surto, com cerca de 130 focos de dengue sendo encontrados por dia no município. As intensas chuvas nesses primeiros dois meses do ano têm sido um prato cheio para que o Aedes Aegipty possa se reproduzir. E, enquanto estamos grudados na tela da TV para saber do Corona, o mosquitinho tá ali, ferroando um ou outro, transmitindo o vírus que já existe em umas quatro variações diferentes na nossa cidade.

Se temos que estar atentos ao Coronavirus? Com certeza. Mas, antes disso, que tal fazermos a nossa parte e evitar um surto irremediável de dengue? Seja mais ou menos letal, só quem já passou pela experiência da doença sabe o quanto é ruim. E quem perdeu um familiar, sabe que uma medida simples de manter quintais e terrenos limpos, sem acúmulo de água, poderia ter poupado uma vida.

Penso que não podemos nos deixar ser totalmente levados pelo clima de pânico da grande mídia. E que possamos assentar as ideias para cuidar, antes de tudo, do lugar onde vivemos.

E que esse ano a Dengue não provoque nenhuma morte na nossa cidade. Assim, eu espero.

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