Educação reduzida a números percentuais

Propaganda institucional do governo de Minas Gerais quer dar conta de que a educação em Minas Gerais está melhorando. E para isso usa entrevistas feitas por um repórter “em algum lugar de Minas” onde uma diretora de escola solta a seguinte “pérola”: “É claro que a educação está melhorando e as estatísticas mostram isso”.

Ao ouvir essa assertiva, confesso que fiquei surpreso. A educação de qualidade foi reduzida a números, a porcentagens, a quantidade de alunos que passam pela escola sem que, necessariamente, a escola passe por ele. E a partir daí coloquei-me a refletir sobre a situação e, principalmente, sobre a propaganda institucional que transforma algo complexo como a educação de crianças e adolescentes em números.

Não é de hoje que todos sabemos da existência da tal da “avaliação seriada”, onde o aluno, muitas vezes, não é reprovado por nota ou falta e é empurrado para uma série acima da freqüentada no ano anterior. Muitos alunos, “macacos velhos” com o sistema, extrapolam o limite de faltas e depois entram com um pedido de trabalho para abono das ausências. Realizam uma pesquisa no Google e, voilá! Está aprovado e apto a seguir no estudo sem, muitas vezes, ter aprendido a resolver uma equação de segundo grau ou, quiçá, utilizar parcialmente um bom português.

Essa é uma realidade triste e que me preocupa. Como docente de ensino superior já vi casos de alunos que são reprovados em vestibulares porque, simplesmente, não têm a mínima noção de história do Brasil, matemática, literatura ou biologia. E muitos conseguem aprovação com erros crassos de português, como foi noticiado recentemente na mídia nos casos das redações do ENEM.

Volto à pergunta inicial dessa reflexão: a educação está melhorando? A estatística é prova viva de que a educação está melhorando? Sei que professores do ensino fundamental e médio (a maioria deles, pelo menos), dão tudo de si para ofertar o melhor ensino aos estudantes. Mas, infelizmente, enquanto a educação for resumida num simples número de aprovados x reprovados, confesso não ficar convencido dessa melhora propalada na mídia institucional.

Fica aqui a questão para ser refletida pelos leitores, pelos professores e, principalmente, pelos inventores de fórmulas matemáticas que resumem as aulas das escolas em meros números para serem propalados na mídia mineira e brasileira.

Um abraço e até a próxima.

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