A mágica dos sessenta minutos


Como 60 minutos podem ser mágicos? Como que apenas uma hora pode fazer com que o mundo “real” deixe de existir e um universo lúdico passe a tomar conta de nossas mentes? Como um prazo tão pequeno, que significa pouco no contexto de um dia, uma semana, um mês ou um ano?

Pois então… foram apenas e infindáveis sessenta minutos que me permitiram, na noite de ontem, voar para longe. Retroceder no tempo cinco ou seis décadas e ir dar ‘de topa’ com Nelson Rodrigues. A apresentação da adaptação de “A Vida Como Ela É” foi, particularmente, inesquecível. Talvez por ter me resgatado há uma década, mais precisamente ao ano de 2002, quando participei da montagem e atuei em outro texto de Nelson, intitulado “O Anjo Pornográfico”, magistralmente montada e produzida pelo amigo Wanderley Assis de Melo Junior.

O que vi(vi) no anfiteatro da UEMG, me encantou. Não só pelo empenho, suor e coragem dos meninos do grupo de teatro – muitos deles pela primeira vez em cima de um palco – mas pela receptividade da plateia que “comprou” a ideia produzida pelo GUT e, mais que isso, interagiu ativamente com quem estava em cima do palco.

Alcançar essa sinergia mesmo em uma montagem simples, com recursos escassos de cenário ou iluminação e um figurino para lá de básico, é mágico. Isso me (nos) faz voar alto. Esquecer os problemas da vida, da cidade e do mundo. É um tempo mágico. É um tempo nosso. Um tempo que – quiséramos nós – nunca se extinguisse.

Foram apenas sessenta minutos. Não mais que uma hora. Mas como – e como! – valeram a pena!

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